02/04 – Os pediatras já estão até acostumados: é só mudar a estação que casos de doenças típicas da época começam a surgir. Nesses períodos, é bem comum ler na internet ou ouvir nos grupos de pais que uma “nova” doença está vindo com tudo por aí. No outono, uma das viroses comuns que atingem as crianças é a doença mão-pé-boca (HFMD), que embora esteja causando alarde, é velha conhecida dos pediatras.

 

Algumas escolas, inclusive, estão comunicando os responsáveis sobre possíveis surtos da doença, principalmente em algumas regiões de São Paulo, Minas Gerais e do Nordeste. Mas, afinal, há motivo para preocupação?

 

Na nossa região, em São João Batista do Glória, está ocorrendo um surto dessa doença. A Dra. Lívia de Oliveira Rezende, médica pediatra do ambulatório do Hospital Dona Chiquita, em São João Batista do Glória, conversou com o repórter Felipe Batista, da Rádio Colina, e fala mais detalhes sobre a síndrome mão-pé-boca.

 

Síndrome mão-pé-boca já atinge seis cidades mineiras e deixa 154 pessoas doentes

Crescem os casos da síndrome mão-pé-boca, doença que provoca bolhas e feridas nessas três partes do corpo e atinge principalmente crianças menores de 5 anos. Desde janeiro, seis cidades mineiras já enfrentaram surtos, deixando pelo menos 154 doentes. Em 2017, apenas Varginha, no Sul de Minas, teve registros da enfermidade.

Como a notificação não é compulsória, o total de pessoas que contraíram a doença é impreciso. Apenas as ocorrências de surto são comunicadas. Os motivos para o aumento das notificações ainda são avaliados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Especialistas reforçam que o quadro é mais comum nesta época do ano.

Os órgãos de saúde garantem que a situação está sob controle, mas os novos registros reforçam a necessidade de medidas de higiene, uma vez que a síndrome é altamente contagiosa. Se não for tratada, complicações podem surgir, como a meningite. No entanto, esses casos são raros. 

“A doença normalmente não leva a complicações, mas não dá para traçar um perfil específico de paciente de risco nesse caso, tudo depende de como cada organismo responde à infecção por este vírus”, disse a pediatra e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai.

Membro do Comitê da Primeira Infância da Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), Maria Tereza Valadares reforça que o contágio pode ocorrer mesmo após o desaparecimento das lesões. Conforme a médica, os adultos, geralmente, não sentem os sintomas. “A transmissão continua por quatro a seis semanas”, informou.

Total de doentes é impreciso, pois a doença não é de notificação compulsória; novos registros reforçam a necessidade de medidas de higiene, já que a síndrome é altamente contagiosa

Onde

São Gonçalo do Rio Abaixo, Catas Altas e Santa Bárbara (na região Central), Mutum (Rio Doce), Matipó (Zona da Mata) e Belo Horizonte são as cidades com surtos de mão-pé-boca neste ano. 

A maioria dos casos ocorreu em Santa Bárbara. Lá, 91 pessoas ficaram doentes. A prefeitura da cidade distribuiu panfletos e álcool gel nas instituições de ensino, como a Escola Municipal Iveta Moreira Novais. “Todos os alunos receberam os bilhetes e aqueles que apresentavam sintomas da doença eram orientados a procurar o centro de saúde. Eles ficam afastados por 15 dias”, disse o diretor Renato Lopes Queirós.

Belo Horizonte

Na capital mineira, o surto foi registrado em duas escolas infantis, nas regiões do Barreiro e Noroeste. “Todas as crianças infectadas foram afastadas das escolas, que adotaram medidas de higiene para evitar a contaminação de outros alunos. Além disso, estamos fazendo o acompanhamento para verificar se surgem novos casos”, informou a diretora de Vigilância Epide-miológica da Prefeitura de BH, Lúcia Paixão.

(Com Mariana Durães) fonte: hojeemdia.com.br