29/01 – O desastre ocorrido em Brumadinho na última sexta-feira (25), devido ao rompimento de uma barragem da Vale, reacendeu o debate sobre questões de segurança. Três anos após o desastre de Mariana, o assunto parecia esquecido – mas uma nova tragédia trouxe os holofotes de volta para os problemas de gestão dessas estruturas.

De acordo com dados da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), Minas Gerais tem 698 barragens. Na região, estão catalogadas oito barragens: seis em Passos e duas em Fortaleza de Minas, sendo uma delas de rejeitos – o mesmo tipo das que romperam em Mariana e Brumadinho.

No último relatório da Agência Nacional da Água (ANA), publicado em novembro de 2018, mas referente a 2017, a única barragem de Passos que constava na lista era a de Monte Alto, da Votorantim Cimentos. Ela foi catalogada como tendo risco médio de acidentes e obteve a mesma classificação para seu potencial de danos. Essa barragem forma uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), que alimenta a fábrica localizada em Itaú de Minas. Mas, apesar disso, ela é catalogada em Passos por ficar na divisa entre os dois municípios, mas o seu impacto é todo na cidade de Itaú e Minas por estar mais próximo.

Segundo José Geraldo Lopes da Silveira, coordenador da Defesa Civil de Passos, a responsabilidade por essa vistoria é de órgãos do Estado – ele possui documentos da Superintendência Regional de Meio Ambiente do Sul de Minas que concedem licença ambiental para operação da barragem até 2028. Silveira sustenta que o município pode apenas cobrar uma fiscalização mais rigorosa.

Em Itaú de Minas, além da barragem de Monte Alto, que fica na divisa com Passos, há a barragem São João, que, embora não conste na lista da Feam, aparece na da ANA. Ela também pertence à Votorantim e é tida como de risco médio para acidentes e baixo para danos ambientais. Segundo Ronilton Cintra (PSD), prefeito da cidade, é preciso redobrar a atenção. Ele disse que “o que aconteceu em Brumadinho serve para refletirmos sobre a responsabilidade que temos e que certamente a administração vai dialogar com a empresa e seus profissionais, assim como com os engenheiros da Prefeitura, para averiguar a situação.

Já a barragem de rejeitos de Fortaleza de Minas, que possui capacidade de 4,1 milhões de m³, foi classificada pela Agência Nacional de Mineração (ANM), em relatório divulgado em 2017, como tendo baixo risco de acidentes; o potencial de dano, no entanto, foi tido como alto.

Ela pertencia à Votorantim Metais, entretanto, a unidade da empresa na cidade encerrou as atividades de mineração em 2013. Atualmente, ela está sob o comando da Serra da Fortaleza Mineração e Metalurgia Ltda. Segundo o prefeito Adenilson Queiroz (PSB), ele e sua equipe fariam uma vistoria, às 9h da manhã de hoje, em conjunto com a empresa, para conferir as condições das barragens do município.

Fonte: Folha da Manhã

Usinas São João e Monte Alto: Aparesentação

foto: meioambiente.mg.gov.br

A Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Monte Alto é um aproveitamento hidrelétrico privado, implantado no rio São João, pertencente à bacia hidrográfica do médio rio Grande, na divisa entre os municípios de Passos e Itaú de Minas, no Estado de Minas Gerais.

O eixo do barramento da PCH Monte Alto está alocado nas coordenadas 320.738,10 mE e 7.701.017,69 mN, fuso 23K, datum SIRGAS 2000.

O empreendimento integra o complexo hidrelétrico das PCHs Santana, São João e Monte Alto, sendo que estas fornecem energia para a unidade de fabricação de cimento e agregados da Votorantim Cimentos S.A. localizada no Município de Itaú de Minas.