02/01 – Com a saúde financeira em estado terminal, o Hospital de Itaú de Minas, da Fundação Itaú de Assistência Social, entidade mantedora da instituição, se vê na impossibilidade de prestar serviços de alta complexidade por falta de equipamentos e de recursos para a manutenção dos atendimentos. Isso pode acarretar no fechamento da unidade, conforme matéria do jornal Folha da Manhã.

 

Para que a situação não se agrave e a história de sucesso do hospital, que foi inaugurado em 1961, entre para o rol de instituições que fecharam na região, a nova mesa do Conselho Curador, composta por seis conselheiros, busca alternativas para dar prosseguimento na atividade hospitalar. Uma empresa, viabilizada pela Prefeitura de Itaú de Minas, de assessoria em gestão hospitalar, a CVD Consultoria, está fazendo um levantamento desde novembro e deve entregar o parecer em julho deste ano 2018.

 

De acordo com o presidente do Conselho Curador da Fundação Itaú de Assistência Social (Fias), o advogado Alexandre Paschoini, o Deco, o centro cirúrgico, que foi inaugurado juntamente com o hospital em 1961 – considerado o terceiro maior bloco cirúrgico e melhor da região -, atualmente não tem equipamentos para funcionar e fica ocioso.

 

Deco disse que o Hospital Itaú conta hoje com 50 funcionários, entre serviços gerais, administrativo e enfermagem. Conta ainda com seis médicos no corpo clínico, porém, tem 40 médicos conveniados, que se houver necessidade são convocados. Além de Deco, o Conselho é composto pelos membros Clézio Antônio Alves, Sandro Pacheco, Luerci Franklin, José Balduíno e Sebastião Dário, que foram eleitos em julho de 2017 com o objetivo de renovar e reestruturar o hospital.

 

Sem capital de giro, a Fias se vê numa situação difícil, pois, pela primeira vez em décadas foi necessário tomar empréstimo bancário para arcar com o 13º salário dos funcionários. Sem prestar os serviços para empreiteiras conveniadas à Votorantim, o que garantia a saúde financeira da instituição, as alternativas para melhorias estão longe de serem alcançadas.

 

Deco disse que, de acordo com um levantamento técnico e mediante a enorme demanda de cirurgias da população de Itaú de Minas, se o Hospital conseguisse adquirir, inicialmente e principalmente, dois equipamentos, que são um aparelho de videolaparoscopia e um arco cirúrgico, poderia voltar a usar o centro cirúrgico, que hoje é limitado por falta dos equipamentos, que devem custar cerca de R$ 600 mil os dois.

 

Ainda conforme o conselheiro, vão faltar outros oito equipamentos para o centro cirúrgico, composto por dois blocos e uma sala de apoio.

 

Caso o hospital consiga se reinventar, conforme explicou Deco, além de poder prestar serviços para o Sistema Único de Saúde (SUS), vai prestar serviços para empresas de convênios de saúde, para a Prefeitura, que atualmente utiliza os serviços da Santa Casa de Misericórdia de Passos, e até mesmo abrir para atendimentos de outros municípios, como ocorria há alguns anos.

 

Para o prefeito de Itaú de Minas, Ronilton Cintra, a possibilidade de fechamento do único hospital de Itaú de Minas é uma vergonha para a administração pública e também uma agressão à população. Ele disse que não podemos deixar que isso aconteça e para isso não vai medir esforços para ajudar nesta batalha contra a crise financeira em que o hospital vem passando.

 

O prefeito falou que a administração municipal ajudou sim a viabilizar uma consultoria para buscar alternativas e vai continuar contribuindo para que não se perca este patrimônio. Segundo ele, é um hospital grande, que já foi bem equipado e hoje está obsoleto, mas que pode voltar a atender e Itaú de Minas tem demanda para isso.

 

Ronilton disse ainda que é triste ver pacientes aguardando até dias na maca no Pronto Socorro para uma vaga na Santa Casa de Passos, e a cidade com um hospital deste tamanho aqui em Itaú, sem equipamentos e que é preciso aumentar o fluxo do bloco cirúrgico do hospital.

Fonte: Folha da Manhã